Stefan Schillhabel conquistou o segundo bracelete da World Series of Poker em 23 de agosto de 2026, superando um campo gigantesco de 7.277 inscrições no Evento #5: $100 Flip & Go na GGPoker, e faturou US$ 150.740 mais um Super Pass de US$ 30.000 para o Main Event da WSOP Paradise 2026. Mas a história que mais interessa ao torcedor brasileiro aconteceu logo atrás dele, com Neville Costa e Patrick Ulysséa avançando fundo no torneio até a mesa final, e Costa ficando a um passo do título com um vice-campeonato de US$ 118.153.
O torneio de buy-in de US$ 100 formou um prize pool de US$ 1.195.005, um lembrete de como a série de braceletes online da WSOP ainda atrai um volume enorme de jogadores mesmo em eventos de entrada baratíssima. Por apenas US$ 100, milhares de jogadores ao redor do mundo tiveram a chance de conquistar um bracelete, um prêmio que muda de vida e uma vaga direta em um dos maiores festivais ao vivo do calendário, que acontece em dezembro nas Bahamas.
Como Funciona o Formato Flip & Go
O Flip & Go é um dos formatos mais peculiares do calendário de braceletes online da WSOP. Todo jogador que se inscreve entra direto em uma fase de “flip” all-in, na qual o avanço para o torneio principal é decidido puramente pelas cartas, sem nenhuma decisão a tomar e sem espaço para habilidade. Depois de sobreviver aos flips, o jogador entra em um torneio padrão de No-Limit Hold’em, começando com as fichas acumuladas na fase de flip, e a partir daí o evento se desenrola como qualquer outro torneio multi-mesas, recompensando paciência, agressividade e a estratégia clássica de torneio até a mesa final.
O apelo do formato é evidente. Um torneio de US$ 100 consegue atrair um campo do tamanho de uma cidade pequena justamente porque o custo da variância fica embutido logo no início, e quando o “torneio de verdade” começa, o campo remanescente já carrega uma história sobre como sobreviveu aos flips. Com 7.277 inscrições, a edição deste ano foi, com folga, uma das maiores do calendário de braceletes online.
O Quase Título do Brasil na Mesa Final
Neville Costa, jogador brasileiro radicado em Florianópolis que se profissionalizou depois de anos disputando home games e clubes locais de poker, não conseguiu fechar a conta no heads-up, mas um vice-campeonato de US$ 118.153 é o ponto alto da carreira sob qualquer critério. O melhor resultado anterior de Costa na WSOP havia sido em 2020, quando terminou em sexto lugar no WSOP Online Millionaire Maker por US$ 288.356, além de um cash ao vivo que remonta a um 47º lugar no WSOP Monsterstack de 2014. Somado a este novo resultado, o currículo de Costa agora reúne duas campanhas profundas na WSOP com uma década de diferença, prova da resiliência necessária para continuar aparecendo nas mesas.
Logo atrás dele, o compatriota Patrick Ulysséa terminou em terceiro lugar por US$ 92.643, garantindo ao Brasil dois dos três primeiros colocados em um evento de bracelete que reuniu jogadores do mundo todo. Dois brasileiros entre os três melhores de um campo de 7.277 inscrições é uma campanha forte sob qualquer ângulo, e segue um padrão visto ao longo da série WSOP Online 2026, em que jogadores brasileiros repetidamente superaram as expectativas em relação ao tamanho da comunidade de grinders online do país. A quarta colocação ficou com o mexicano David Mzareulov, que faturou US$ 72.642, completando uma mesa final que reuniu jogadores de três continentes.
O Segundo Bracelete de Schillhabel, Quatro Anos Depois
Para Schillhabel, a vitória fecha um ciclo que começou em agosto de 2022, quando conquistou seu primeiro bracelete da WSOP no The Housewarming Online, evento de No-Limit Hold’em com buy-in de US$ 500 que reuniu 5.099 inscrições e formou um prize pool superior a US$ 2,4 milhões. Na ocasião, Schillhabel superou Roman Kropmanns no heads-up e faturou US$ 296.410, se tornando o primeiro campeão coroado naquela série WSOP Online de 33 eventos. Quatro anos depois, ele repetiu o feito, desta vez em um formato completamente diferente e com uma fração do buy-in, o que evidencia um nível de adaptação que separa os grinders de torneio consistentes dos jogadores de sorte única.
Schillhabel é um veterano do circuito de torneios de alto nível, com ganhos de carreira superiores a US$ 10 milhões, incluindo um título de Main Event do World Poker Tour conquistado em 2016. Somar um segundo bracelete da WSOP, especialmente um conquistado inteiramente online contra um campo na casa dos milhares, consolida seu lugar em um grupo seleto de jogadores que construíram múltiplas conquistas de bracelete através do crescente calendário online da WSOP, e não apenas nas mesas de Las Vegas.
O Que Isso Significa Para o Resto da Série
O Evento #5 é apenas mais uma parada em um calendário lotado da WSOP Online 2026, que segue em paralelo com os preparativos para a WSOP Paradise em dezembro, e o Super Pass ligado à vitória do $100 Flip & Go é um exemplo pequeno, mas significativo, de como a série online agora alimenta diretamente o circuito de festivais ao vivo. Jogadores que talvez nunca planejassem um buy-in de US$ 10 mil podem garantir sua vaga nas Bahamas através de um evento online de US$ 100, e resultados como os de Costa e Ulysséa mostram que o teto para os jogadores brasileiros nesses campos continua subindo. Quem quiser entender melhor como eventos de bracelete como este são estruturados, incluindo níveis de blind, saltos de premiação e estratégia de fase final, pode conferir um material mais completo no nosso guia da WSOP.
Com Costa e Ulysséa faturando prêmios de seis e cinco dígitos, respectivamente, e com a série WSOP Online ainda em andamento, os jogadores brasileiros terão muitas outras chances de transformar uma campanha profunda em um bracelete antes que o calendário chegue à Paradise. Por enquanto, quem leva o troféu para casa é Schillhabel, mas a mesa final que ele venceu para chegar lá fez questão de lembrar o mundo do poker de que o talento online do Brasil só cresce.
