Assista a qualquer mesa final grande — inclusive o Main Event da WSOP — e verá jogadores de classe mundial descartando mãos com as quais dariam all-in felizes num cash game. O motivo tem nome: ICM, o Modelo de Fichas Independentes. Entendê-lo é a maior vantagem disponível ao jogador de torneios quando a premiação fica séria.
Por que uma ficha não vale uma ficha
Num cash game, $100 em fichas valem $100. Num torneio, não. Como você não pode ganhar mais do que o primeiro lugar e os saltos de premiação são grandes, as fichas que você pode perder valem mais do que as fichas que você pode ganhar. Quebrar em 6º quando o 5º paga um salto alto é um evento financeiro real — então sobreviver tem valor além do pote à sua frente.
Três regras práticas
- Feche o jogo quando houver stacks curtos. Quando outros correm risco de quebrar antes de você, você pode pressionar, e eles precisam descartar mãos “corretas” pela equity bruta. Deixe-os correr os riscos.
- Pague mais apertado do que empurra. Pagar um all-in arrisca sua vida no torneio; dar all-in permite ganhar sem disputa. A distância entre um shove lucrativo e um call lucrativo cresce muito sob o ICM.
- Ataque os stacks médios. Os jogadores com algo a perder — não os curtos desesperados nem o líder — são os que descartam demais. Mire neles.
Mas não descarte demais
O ICM premia a cautela, mas a passividade é uma armadilha. Se todos na mesa jogam com medo, o ajuste certo é virar o agressor e imprimir fichas sem disputa. Os melhores jogadores de mesa final sabem exatamente quando sobreviver importa e quando é hora de pisar no acelerador.
Estude alguns spots de ICM fora da mesa com um solver ou uma calculadora de ICM, e os padrões começam a parecer naturais. Logo você fará aqueles folds “impossíveis” — e os all-ins agressivos — pelos motivos certos.
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